Sexta-feira, 29 de
fevereiro, no bar da Rosa. Wagner Nascimento, de chinelo
de dedo, camisa jogada no ombro, copo de cerveja na mão
e boné na cabeça, me pede para escrever um release para
ser entregue no projeto dos sambistas "Samba Na
Fonte", na Pedra do Sal. Uma roda de samba da
melhor qualidade, onde só vale cantar sambas inéditos de
compositores na maioria deles, anônimos. Respondi: -
ora, meu rapaz, quem sou eu para escrever algo de
tamanha preciosidade . Ao mesmo tempo que seria
fácil, senti uma grande dificuldade para fazer uma
antítese da fraternidade para o profissional.
Mas, vamos lá:
Wagner Nascimento é compositor de inspiração fértil. O
sobrenome já diz: Nascimento. É onde a mente deixa
brotar e transfundir para a alma, a poesia e a harmonia
com sensível versatilidade.
É dono de uma palhetada
diferenciada, em seu cavaquinho e no banjo.
Teve a primeira
música gravada com o grupo Sereno - Sem Recomeço
. Depois veio Belarmino Boca Larga , no
cd produzido pelo saudoso ritmista Duarte,
(ex-integrante do Grupo Só Bamba). Em seguida , em São
Paulo, gravou com o grupo " Estatuto do Samba" a música
Passa Tempo da Viagem . Esta lhe rendeu,
literalmente, uma viagem à terra da garoa em companhia
de alguns sambistas renomados como: Monarco,
Wilson das Neves, Serginho Meriti, Sombrinha, D. Ivone
Lara, Leci Brandão, Wantuir, Edson Côrtes e entre outros
maiorais do mundo do samba. Em seguida, o
cantor Gabrielzinho de Irajá gravou mais um samba de sua
autoria - Meu Primeiro Amor.
Fez algumas
apresentações, como cantor, no Bar Songbook Café, no
Leblon. Foi um dos inauguradores da roda de samba
Inéditas de Realengo . Consagrou-se campeão nos
blocos carnavalescos G.R.B.C Balanço de Realengo, Unidos
do Real Engenho e no Arame de Ricardo. Este último por 2
anos consecutivos. Estudou na Escola de Música Villa
Lobos no período de 98 à 99.
Wagner Vieira do
Nascimento, o Vavá para os amigos e Wagner Nascimento do
mundo e do samba é isso aí. Sinônimo de dignidade
respeito e amizade. Onde tem samba, lá está ele. Boêmio,
sambista de primeira e de musicalidade invejável.
Ouçam, cantem e
prestem bastante atenção nesse aprendiz de malandro, que
não chegou a levar carreira da polícia como os
primitivos.
O que pude
escrever a respeito dessa fera, já foi mencionado. Daqui
por diante, paguem prá ver e ouvir.
Anderson Bores
Compositor e Estudante de jornalismo